quarta-feira, 18 de junho de 2008

ARTISTA... ou FILHO DA PUTA?


André Toral desenhou "O FILHO DA PUTA", uma das várias histórias gráficas dentro das páginas da extinta revista CIRCO ( Angeli, Laerte & Cia. ) e, quando abri o caderno com essa frase-título, muito confortavelmente instalado em minha república após comprá-la na Banca de Jornais de praxe ( cujo dono a reservava, me aguardando, por vezes me telefonando do Calçadao de Londrina onde o ponto fica, avisando-me prá passar por lá ) levei um baita susto, pois nao me lembrava de ter lido antes esse palavrao doído, com todas as letras, assim, de chofre, capitularizado e tudo...

A história gráfica era bem "pulp":
Um Anonimo Urbano que, meio sem querer, defende uma Moçinha Urbana de algum covarde ou algo assim e, por vias tortas, acaba sendo um pop-star do Tele-Catch, aquelas bizarras "Lutas-Livres", fruto de alguma pedrada na consciencia de algum moleque, que veio a tornar-se um adulto, pois prá se conceber a estética Tele-Catch e coreografá-la... convenhamos com honestidade e franqueza: É empresa prá iniciados.

Raramente uso a palavra FILHO-DA-PUTA, mas numa frequencia ultimamente impressionante, noto que a tenho dito para a Classe Politica e Administrativa pagos para gerir nossa naçao, a República Federativa dos Estados Unidos do Brasil, aqueles por voto, esses por concurso, sim, há raras exceçoes, mas deixemos isso de lado, no já e imediato.

Amigos em geral? Ah! Costumam ser eles todos, de muito bom grado, uns tremendos de uns filhosdasputas. DE RESPONSA! Poucas coisas podem ser mais gosotosas de se dizer e chamar, do que um verdadeiro amigo seu, assim, sem rodieos nem freios, CARA, VOCE É UM FILHO-DA-PUTA, bochechas estufadas de ar na hora de pronunciar o "P", sorriso sardonico na cara, incluído!

Mas tal honraría deve ser reservada aos AMIGOS-AMÍÍÍGOS, entre homens ( mulheres se "ofendem mutuamente" como? ) e nao deve ser utilizado em vao, com "Colegas", por exemplo.

Colegas sao, se muito, Sacanas ou Bobos ou Espertos ou Otários ou Interessantes ou Curisosos ou Chatos ( eu, com prazer... ) ou Malucos ou Doidos e por aí vamos...

Como o sao a listagem de "Amigos do Orkut" na verdade eles sao todos, malemá, "colegas'... Conhecidos e olhe lá... Denominar "amigos" pessoas que brincam de Recados Grudados na Porta de Geladeira, é ofender nossas humanidades e, falando em Orkut, tem gente que se associa em Comús, pensando em, sim... "fazer amigos".... Isto que o mecanismo tem um FÓRUM, coisa que 90% nao sabe nem o que a palavra significa, esperando um mar-de-rosas sob céus azuis... perpetuando a doce adolescéncia de suas existencias, mas...

E quando eu ouço canticos como EU QUERO TER UM MILHAO DE AMIGOS... etc, sinto vontade de sentar na beirada do Rio Tibagi sobre uma pedra e chorar...

Um milhao de amigos é um chute no grao, por favor !!! ½ dúzia, ainda vai... mas, mas UM MILHAO? Nem com licença poética...

Eis que recebo um e-mail, dando conta de um sujeito batizado de Guillermo Vargas Habacuc, até onde eu entendi do que ele faz ( fez... ), esse sim, um TREMENDO, um GRANDESSÍSSEMO DE UM FILHO DA PUTA. E de RESPONSA.

Mas vejamos isso mais de perto... Será que ele é mesmo um?

Este cachorro desgraçadamente magro, pele e osso, foi ( vamos registrar assim ), "resgatado" de alguma rua urbana de Manágua e colocado amarrado improvisadamente num fio elétrico, á guisa de arame-guia, numa coleira igualmente feita na gambiarra, com um fio tançado de plástico amarelo, todos os tres achados ao acaso na rua: Cachorro, Fio, Arame, nao necessariamente nessa ordem.

De somente olhar, o cao, já nos dá alguma pena, mesmo numa foto. Ele nao é só macilento, mas algo deconjuntado. Perdeu a dignidade ja a muito. Seu olhar, onde queremos entender, "humanizado', é de algum tipo inútil de súplica, com um muito de abandono definitivo, timidez progressiva e, sem exagero antropomórfico algum, um que de profunda vergonha.

Ele parece sentir (e pressentir) a sua condiçao desgraçada. O modo como encara o fotógrafo, em tudo exibe as pistas de uma vida pregressa fodida, na base do enxotamento, talvez, uma única memória afetiva profunda, encalacrado em suas entranhas existenciais, quase que nos querendo dizer algo como NAO SOU ASSIM, MAS, SIM, EU ESTOU ASSIM...

O cachorro, oras, nem feio-feio ele o é. Vira-Latas sem donos, em geral, sao fortes, algo desconfiados, bem resistentes, frequentemente espertos ( atravessam ruas NA FAIXA DE PEDESTRES! ), antecipadores e costumam dar algum tipo de confiança, acima da média, nao raro, de forma instintiva.
Eles parecem ler nossas posturas e gestos, segundos antes de se aproximarem, no mais das vezes, sim, com fome.

Pois este cachorro magricelo e acabado... amarrado numa fiaçao plástica... era uma INSTALAÇAO "in vivo" do artista costa-riquenho e já supra-citado, Guillermo Vargas Habacuc, na Galeria Códice na Bienal de 2007 de Manágua, capital na Nicarágua, onde o animal indefeso agonizou lentamente até a morte, sem água, nem comida ou seja, era, hmmmm... "arte".

FILHO-DA-PUTA, foi a frase mais gentil que eu consegui encontrar prá definir o costarriqueno ( o curador da Galeria Códice de Manágua , incluído ) quando soube, segundo a internet, que o artista fora... RE-convidado prá mais uma...digamos assim, PERFORMANCE.

Desta feita, na Bienal da Nicarágua.

Foi quando eu me peguei pensando ( sim, me pego com frequencia sofrendo disto, felizmente posso me curar, assistindo TV...) nao no "manifesto do artista" -reproduzido abaixo em ingles- mas em como NINGUËM na mostra, nao levou uma cuia de água ou um naco de raçao para o monte desconjuntado de pele e osso e pestilencia...

Onde estao, mesmo, os verdadeiros FILHOS-DA-PUTA?

Seria mesmo esse cara, que "resgatou" o Natividad ( O NOME DO CACHORRO É NATIVIDADE!!!! ) das ruas de Manágua -um brazilzinho cafuso/mulato que fala castelhano- trocando uma morte agonizante, lenta, dolorida e certa, tendo como esquife um terreno baldio... ou o chao de cimento queimado de um bem iluminado canto de uma sala da Galeria Códice, onde ele teve, EXATAMENTE O MESMO DESTINO, uma morte agonizante, lenta, dolorida e certa?

Natividad está morto, um dia depois. Uma antítese, no mínimo interessante, nao fosse por demais comum, corriqueira, usual, diária, em qualquer canto desse imenso Salao, chamado Planeta Terra. Consta que ele recusava alimento e escapou por pouco de um cachorro muito maior, que o atacara.

Natividad: Moirtin, Cum Coirpu Terim Cubéirtu di Véirme...

Numa Nicarágua ( troque o nome pelo nome de qualquer outra naçao do mundo, especialmente as sub-desenvolvidas, Brazil incluso...) onde os cachorros agonizam as centenas de milhares, principal e barbaramente, de sede...

Muitos deles, veadinhos cheios de mimos, subitamente abandonados numa rua deserta, pois nao mais "servem" aos seus donos, como se produtos o fossem...

A tal "instalaçao" do artista costa-riquenho, em que pese um profundo mau gosto... Infelizmente tem, exibe e registra a sua verdadeira razao de ser.

Na instalaçao, ainda viá-se a frase "ÉS O QUE LES", escrita, pasmem, com graos de frolics, raçoes em formato de rosquinhas aromatizadas coloridas, coladas na vertical das paredes e sem a menor chance do cachorro alcançá-las....

PIOR DO QUE TUDO, ó, crianças pré-puerís e mimadas a cocacolas: É arte. Se duvida da seriedade do homem, leia sua declaraçao ao pé desta...

POR TANTO...

Retiro, para os devidos fins, o epíteto de FILHO-DA-PUTA dado anteriormente por mim ao Sr. Guillermo Habacuc Vargas.

TRANSFERINDO
o título para todos os Pseudo-Amantes de caes, que os descartam em todo o Planeta, sem a mínima noçao de nada, bem como aos Visitantes daquela Bienal, que nada fizeram pelo Natividad e, hipócritamente, se o tivessem feito, outros 200.000 cachorros teriam se fodido igualmente, como aliás, se foderam todos e continuam, sim, nisto...

Imagino, agora sim, e consigo entender, de COMO esses filhosdasputas agem no Transito, na Familia, nas Amizades, nas Praias, nos Semáforos, nos Gabinetes, No Senado, na Camara, nas Filas, nas Empresas, nas Escolas, no Trabalho...

Pára de reclamar, lamuriar e condenar ao Sr. Guillermo, veja se levanta a BUNDA desta cadeira e vai resgatar algum cachorro na rua da sua cidade, onde perambulam AS CENTENAS, levando numa Clínica Veterinária, heróis urbanos anonimos, e castrando-o.

E vejam se parem de encher o saco do homem E artista, afinal, é exatamente por isso que ele "montou", que eles sao reconhecidos como A ANTENA DA RAÇA.

Nao perca seu tempo assinando manifestos hipócritas e imbecis e caipiras, como os mais de 450.000 adeptos de uma moçao, patéticamente, fizeram, pra "expulsar" o artista.

É melhor voce utilizar tua energia na tentativa de expulsar ( e matar de fome e sede ) o hipócrita que mora confortávelmente dentro da tua cabeça.

PS: Levo Água & Raçao no porta-malas de meu carro, diuturnamente, pra deixar em locais por onde passo: Nao é muito, eu bem o sei, mas pelo menos NESSE PARTICULAR, sou bem, mas MUITO MELHOR que voce, nesse particular, admita... ;)
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"Hello everyone. My name is Guillermo Habacuc Vargas. I am 50 years old and an artist. Recently, I have been critisized for my work titled "Eres lo que lees", which features a dog named Nativity. The purpose of the work was not to cause any type of infliction on the poor, innocent creature, but rather to illustrate a point. In my home city of San Jose, Costa Rica, tens of thousands of stray dogs starve and die of illness each year in the streets and no one pays them a second thought. Now, if you publicly display one of these starving creatures, such as the case with Nativity, it creates a backlash that brings out a big of hypocrisy in all of us. Nativity was a very sick creature and would have died in the streets anyway.“Me reservo decir si es cierto o no que el perro murió. Lo importante para mí era la hipocresía de la gente: un animal así se convierte en foco de atención cuando lo pongo en un lugar blanco donde la gente va a ver arte pero no cuando está en la calle muerto de hambre. Igual pasó con Natividad Canda, la gente se sensibilizó con él hasta que se lo comieron los perros”, explicó .Incluso agregó: “Nadie llegó a liberar al perro ni le dio comida o llamó a la policía. Nadie hizo nada”.

Um comentário:

  1. É a banalização da vida. Neste caso, o tal “artista”, Guillermo Vargas Habacuc, reproduziu, em escala infinitamente menor, mas não menos abominável, o que Hitler fez com os judeus. Mudou apenas a intenção. Hitler quis demonstrar poder. Habacuc, quis apenas aparecer. Ambos usaram métodos psicopatas, onde os fins justificam os meios.

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